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domingo, 5 de setembro de 2010

Fezes de pássaros, na Cruz do Alpendre da Portaria

O assunto já aqui havia sido tratado em Fevereiro de 2009, e desde então nada mudou, excepto a minha convicção de que as fezes dos pássaros são de facto extremamente nocivas para a "saúde" da tábua em causa...

Hoje, no Convento, pude constatar que o perigo potencial de fezes sobre o frade crucificado dos Capuchos de Sintra passou a situação concreta, tornando-o cada vez mais urgente a remoção do ninho e a limpeza das fezes.



No entretanto, o serviço de catering montado junto ao Terreiro das Cruzes e os carrões com motorista estacionados no portão principal da Pena indiciam visita de gente bem colocada aos Capuchos de Sintra. Sendo dia do croquete e dos discursos de circunstância, fica o apelo - mais um! - a uma rápida e efectiva intervenção no Convento, onde nada muda faz muito tempo...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

6ª Feira Santa

"Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que pode o homem dar em troca da sua vida? Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos." - Evangelho de S.Marcos (8: 34-38)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Frei Cristovão de S. José e o túmulo dos Capuchos

Um dos veneráveis Padres que passou pelo Convento dos Capuchos de Sintra, e que ali encontrou a sua última morada, foi Frei Cristovão de São José, natural da cidade de Lisboa, "vulgarmente chamado o Biltre" (epíteto pouco próprio de um franciscano arrábido "servo de Deus").

Frei Cristovão teve uma vida cheia de episódios notáveis, viajou muito (esteve na Terra Santa, em Itália - com passagem por Roma -, França e Castela) e chegou a passar pelo cárcere, antes de rumar a Sintra, onde se internou como recoleto frade do cenóbio da Serra.

Não sei ao certo em que ano nasceu, nem aquele em que morreu, mas sei que foi contemporâneo de Caetano de Melo e Castro, 36º Vice-Rei da Índia, nascido em 1680 e falecido em 1718. Assim, diria que o episódio a que aqui aludo - o da sua morte e transladação para Sintra - se terá passado já no século XVIII.

Frei Cristovão viveu na Arrábida, e dali passou para Sintra ("Relicário de toda a Ordem Seráfica pela sua pequenez, e suma pobreza..."), onde esteve pelo período de 30 anos. Diz a Crónica da Provincia que ali viveu na cela mais escura, mais húmida e mais incómoda de todas, já que a sua mediana estatura não lhe permitia sequer estender-se nela. Na Casa de Sintra todos "lhe davam venerações de Santo".

Na maior parte dos 30 anos que viveu no Convento de Santa Cruz assumiu a função de Porteiro, contactando assim frequentemente com todos aqueles que ao cenóbio se dirigiam, em particular os pobres que ali iam buscar a sua esmola.

Exemplar no cumprimento dos estatutos da Provincia, tinha como coisas do seu uso (usus pauper) apenas uma cruz de pau que guardava na cela, dois panos menores ("que conservava há anos a poder de remendos") e dois lenços. Interessante notar que de acordo com a crónica fumava, mas não à vista dos seculares. Outros textos, posteriores a este de 1737, referem outros frades fumadores do Convento, e até um guarda meio-ermitão que já depois de 1834 ali morava, de seu nome António.

Conta a Crónica que certa vez se dirigiu ao Rei D. Pedro II - que reinou na viragem dos séculos XVII para XVIII -, a quem procurou em Alcântara, na Igreja de Nossa Senhora das Necessidades, e que o monarca atendeu o seu pedido, já que "venerava sua majestade muito ao servo de Deus pelo conceito que tinha da sua virtude...".

O mesmo texto fala de um episódio da vida de Frei Cristovão, que aconteceu no regresso de uma ida a Colares, onde havia estado com um Companheiro. Espesso nevoeiro abateu-se sobre a Serra, e os dois franciscanos acabaram por se separar, chegando o Companheiro ao Convento, ao passo que Frei Cristovão apenas no dia seguinte chegaria, sem manto nem sandálias, razão pela qual foi mandado fazer disciplina pelo Prelado.

Frei Cristovão contou depois de havia passado a noite caminhando pelos matos da Serra, não dando com o Convento apesar do Guardião ter mandado que se picasse o sino. O alforge, seu manto bem como as sandálias chegariam ao Convento dias mais tarde, depois de encontrados pela Serra por pastores.

Com perto de 80 anos de idade, doente e com a percepção de que se aproximava a hora de morrer, Frei Cristovão ocultou aos irmãos a sua "última enfermidade", mas o Guardião acabou por ter dela conhecimento, ordenando que partisse para Lisboa, onde eram tratados os frades de Sintra que adoeciam.

No caminho para Lisboa parou na Quinta do já referido Caetano de Melo e Castro (seria a de Monserrate?), e ali foi "recebido e tratado com grande amor". Vendo que a vida o deixava, Frei Cristovão pediu a uma cunhada do Vice-Rei que chamasse o seu Guardião, para lhe dar a extrema unção, e passou a noite na capela da Quinta, na companhia do Capelão da Casa.

No amanhecer seguinte chegou à Quinta do Guardião de Sintra, e ali disse Missa. A pedido de Frei Cristovão, deu-lhe a extrema unção, e depois rezou-se o Ofício da Agonia, ao qual ia respondendo. As suas últimas palavras foram "In Manus tuas, Domine, commendo Spiritum meum", precisamente as últimas sete palavras d'O Cristo antes da sua morte na Cruz (Lucas 23:46, "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito"). Eram cerca das onze horas da manhã.

Pelas três iniciaram-se os trabalhos de transladação para o Convento, e quando o Guardião lhe pegou encontrou o corpo de Frei Cristovão tão flexível que parecia ainda animado de vida. Diz também a crónica que, achando-se sozinhas na presença do corpo, as criadas da Casa o picaram, e o sangue que saiu era tão líquido que com ele banharam lenços e paninhos, "que guardaram com estimação de preciosas relíquias". O corpo foi muitos acompanhado até ao Conventinho, onde se encontra a sua sepultura, localizada no Alpendre da Portaria, sendo um dos dois que se encontram junto à porta da Igreja conventual.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Terreiro da Fonte

Saídos do pequeno pátio que se segue ao arco formado pelas fragas do portão, entramos num terreiro um pouco mais amplo, já com o Convento bem à vista, e que termina no Alpendre da Portaria, de que nos ocuparemos no futuro.

Maravilhoso, este espaço.

À esquerda, duas mesas servidas por bancos corridos de pedra, emolduram uma belíssima fonte, da qual sai ininterruptamente água limpa e fresca da Serra. Destas meses se diz que era local de eleição para o descanso e refeições de D. Sebastião, nas suas deslocações aos Capuchos.

A fonte está bastante degradada, faltando-lhe parte do bonito revestimento pétreo da sua estrutura. Ao centro, por cima da bica, um nicho guardava - ao que consta - uma imagem de Nossa Senhora da Rocha. Rocha, Roca, Pedra, Penha, Pena. Sinónimos que se repetem um pouco por toda a Serra de Sintra, evocando de forma por demais evidente a natureza sagrada deste monte de colossais e ciclópicos blocos graníticos.

A imagem desapareceu. Uma entre muitas imagens desaparecidas do primitivo recheio conventual. Dela restam antigas referências do século XIX. Ainda existirá? Quase a consigo imaginar a servir de "decoração" na casa de um particular... Triste destino para uma imagem que outrora viveu mais junto ao Céu, no cimo do Monte Ida português.

A vegetação do terreiro é hoje muito menos densa do que há alguns anos. Estará mais limpo para uns, menos próximo da sua natureza para outros. Seja como for, o fundamental da sua beleza está lá, que o sinta quem conseguir sintonizar no seu coração o bater do órgão vital da Serra, de que nos aproximamos.

Junto ao Telheiro, do lado da parede da sacrístia/coro cuja janela dá para este pátio (a janela que, vista de dentro, reproduzo em fotografia no cabeçalho deste blog), bonitos brincos de princesa emprestam ao lugar - em determinadas alturas do ano - uma cor verdadeiramente deslumbrante...

Que não se deslumbre o visitante, todavia. Este é um lugar de encontro com a verdade, e para a sentir temos de estar despertos para a Realidade.

Para ouvir o Convento não o tentemos ouvir. É que a ele se aplica por completo este excerto de Mensagem de Fernando Pessoa, incluído no poema "As Ilhas Afortunadas":

"(...)
E a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutarmos, cala,
Por ter havido escutar."

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Cruz de madeira do Alpendre da Portaria

Existe no alpendre da portaria do Convento uma magnífica Cruz de madeira sobre a qual se encontra pintada a figura de um Irmão crucificado.

Por hora não nos deteremos neste belíssimo pormenor, de inesgotável carga simbólica... o meu objectivo é mesmo chamar a atenção da tutela para o facto de, sobre a Cruz, se ter instalado um ninho de pássaros, o que não representaria qualquer problema se não fossem as fezes de ave extremamente corrosivas e nocivas para este tipo de património.

(Fotografia de 15/02/2009)

Creio não estar errado ao afirmá-lo, mas se estiver... que se ignorem estas linhas, e se dê às aves o prazer de beneficiar do abrigo do alpendre, facto que muito haveria de agradar aos frades de outrora, e em particular ao primeiro dos frades da Ordem, Francisco de Assis.

Se por outro lado se confirmar o meu receio, penso que seria urgente transferir dali o ninho, evitando fezes de ave sobre as tábuas, já de si tão antiga, deteriorada e com as cores da pintura tão apagadas...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A pia de água benta do Portal da Igreja

No lado direito da porta que dá acesso à pequena Igreja Conventual dos Capuchos existiu, durante muito tempo, uma pequena pia contendo água benta (ver imagem a preto e branco, em baixo). Este elemento do portal foi todavia destruído no final da década de 90, dele restando apenas uma memória suportada em imagens.

Aspecto actual do portal de acesso à Igreja. À direita, o pequeno pilar que suportava a Pia, hoje desaparecida.

Fotografia da Pia de Água Benta, incluída no livro "O Convento dos Capuchos: o que é e o que foi", edição de autor do Dr. Vítor Pereira Neves (1997).

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A lenta degradação do Convento...

"Na parede, do lado esquerdo, alto relevo partido com representação da Virgem e o Menino emoldurados por um dossel segurado por anjos, entre duas portas de verga recta." - Ficha do monumento na página www.monumentos.pt.

(Telheiro do Convento, fotografias de 1994 e 2003)