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sábado, 16 de janeiro de 2010

As capelas do "Ecce Homo" em Sintra e Varatojo

"Ao percorrer esta matazinha, que não foi plantada com artísticos cuidados, mas fôra um pedaço de monte, cujos arbustos cresceram à mercê da sua natureza e formaram selva, mais ao diante aproveitada pelo primeiro colono, estabelecido naquele monte, convertendo-a depois em quinta utilitária e de recreio o primeiro proprietário que no lugar se estabelecera.

Uma capelinha mariana, erguida no local do antigo sobreiro, no fim do século quinze, continua a lembrar-nos o encontro da imagem milagrosa, agora venerada na sua capela da portaria conventual. Andada uma dúzia de passos frente àquela capelinha da mata, topamos, à esquerda, o antigo forno da cal que ele fornecera para o convento, nos anos de 1470-1474, convertido em devotíssima capela, com três grutas, abertas na sua circunferência, cada qual com sua imagem. A principal, à frente de quem entra, forma uma pequenina capelinha, azulejada com quadros de raro acabamento, datados do ano 1737.

A imagem antiga ali venerada era a do Senhor Ecce Homo; actualmente, porque esta desaparecesse com a invasão dos republicanos em 1910, foi substituída pelo Senhor à Coluna".

(Sobre a capelinha do Varatojo, fonte)


(a capelinha de Sintra)


(a capelinha do Varatojo)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Frei Belchior de Alderete

Quando no final da década de 70 do século XVI a peste começou a dizimar vidas na zona de Lisboa e arredores, um frade arrábido castelhano que integrava a comunidade de Sintra acorreu em auxílio à população de Torres Vedras, e naquela antiga e importante vila protagonizou um milagre de que dão conta a Crónica da Arrábida (Tomo I) e o Agiológio Lusitano (Tomo II).

O seu nome era Frei Belchior de Alderete, um homem de "compleiçaõ fraqua, & forças limitadas", que fez da sua fé um instrumento de Deus ao serviço dos homens.

Frei Belchior morreu a 12 de Abril de 1579, e encontrou a sua última morada na Ermida de São João de Torres Vedras, a qual hoje se encontra incluída no Cemitério de São João que serve a cidade torreense.

Dele se diz ter salvo muitas vidas quando desesperados pelos efeitos da peste, alguns de Torres Vedras se voltaram para este Santo Padre. A todos pediu paciência, "porque elle só pagaria por todos". A promessa foi cumprida, já que Frei Belchior acabou por falecer, ao passo que "todos os mais feridos convaleceraõ, e trunfaraõ do pestifero castigo, publicando deverem este beneficio aos merecimentos deste fiel, e amado Servo de Deos".