quarta-feira, 9 de junho de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
450 anos do início da construção dos Capuchos de Sintra
Passam hoje 450 anos sobre o início das obras de construção do Convento.
Ler mais sobre o assunto aqui.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Do "Tao Te King"
Uma passagem bem próxima do franciscanismo da Santa Cruz da Serra de Sintra:
"Rejeita a sabedoria e o conhecimento
O povo tirará assim cem vezes mais proveito.
Rejeita a bondade e a justiça
O povo voltará à piedade filial e ao amor paternal.
Rejeita a indústria e o seu lucro
Os ladrões e os bandidos desaparecerão.
Se estes três preceitos não forem suficientes
ordena o que se segue:
distingue o simples e abraça o natural,
reduz o teu egoísmo e refreia os teus desejos."
"Rejeita a sabedoria e o conhecimento
O povo tirará assim cem vezes mais proveito.
Rejeita a bondade e a justiça
O povo voltará à piedade filial e ao amor paternal.
Rejeita a indústria e o seu lucro
Os ladrões e os bandidos desaparecerão.
Se estes três preceitos não forem suficientes
ordena o que se segue:
distingue o simples e abraça o natural,
reduz o teu egoísmo e refreia os teus desejos."
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
D. Afonso VI e o hábito franciscano
Nove anos passou D.Afonso VI fechado no Paço da Vila de Sintra, depois de cinco anos vivendo nos Açores (e mais concretamente na Ilha Terceira). Trata-se de uma das histórias mais tristes ocorrida durante a dinastia de Bragança, de que foi segundo rei, sucedendo-lhe o irmão - D.Pedro II - aliás regente desde 1667, que muitos acusam de ter envenenado o irmão, depois de o submeter a clausura desumana.
Seja como for, contam as antigas narrativas que depois da sua morte, ao rei foi vestido um hábito de S.Francisco, "o primitivo, e cingido o cordão da mesma ordem seraphica". Tinha ainda sobre os ombros o hábito da Ordem de Cristo, e sobre as mãos o capacete da mesma Ordem.
Pergunto-me se durante os 9 anos de prisão no seu quarto do Palácio da Vila, o rei a quem chamaram no seu tempo "O Vitorioso" não terá tido contacto com frades capuchos do Convento de Santa Cruz (que, como se sabe, se deslocavam regularmente à vila, para tratar de assuntos diversos), justificando esse contacto com os franciscanos da Santa Cruz a opção de levar consigo, para a "última morada" o hábito da ordem fundada pelo Santo de Assis.
Seja como for, contam as antigas narrativas que depois da sua morte, ao rei foi vestido um hábito de S.Francisco, "o primitivo, e cingido o cordão da mesma ordem seraphica". Tinha ainda sobre os ombros o hábito da Ordem de Cristo, e sobre as mãos o capacete da mesma Ordem.
Pergunto-me se durante os 9 anos de prisão no seu quarto do Palácio da Vila, o rei a quem chamaram no seu tempo "O Vitorioso" não terá tido contacto com frades capuchos do Convento de Santa Cruz (que, como se sabe, se deslocavam regularmente à vila, para tratar de assuntos diversos), justificando esse contacto com os franciscanos da Santa Cruz a opção de levar consigo, para a "última morada" o hábito da ordem fundada pelo Santo de Assis.
domingo, 17 de janeiro de 2010
A Cela (dita) "de D.Sebastião"
Quem passando o portão do Convento segue pelo terreiro que se segue chega ao Telheiro da Portaria, onde uma magnífica cruz revela segredos que não importa aqui abordar. A ladear a Cruz (que se pode ver na fotografia em baixo) duas portas dão acesso a pequenas divisões, sendo uma delas muito especial pela função que a história, ou a lenda, lhe destinou.
Já aqui havia referido que, segundo a tradição local, D.Sebastião passou nos Capuchos de Sintra um período de reclusão antes da partida para o Norte de África, onde se deram os acontecimentos de Álcacer-Quibir. Acrescento agora que, segundo me contou o antigo guarda do Convento, Frei Gaspar, a cela onde esteve encerrado (uma semana inteira, em contemplação da Santa Cruz) o Rei-Menino foi esta sobre a qual aqui escrevo.
A cela é pequena, como o são as restantes celas do Convento, mas tem uma particularidade que a tornava especialmente indicada para o propósito referido (a contemplação do símbolo da Cruz): a luz natural entra nesta cela por uma pequena janela, localizada junto ao tecto, num dos seus cantos. A orientação desta janela permite a quem nela se encerrar observar a magnífica rocha que domina a paisagem do Convento, e sobre a qual se erguia - até há alguns anos - uma pequena Cruz de pedra.
Imagine-se pois o Rei de Portugal, D. Sebastião, fechado na escuridão da cela, alimentando a alma apenas do pão espiritual servido pela Cruz daquele penedo.
Já aqui havia referido que, segundo a tradição local, D.Sebastião passou nos Capuchos de Sintra um período de reclusão antes da partida para o Norte de África, onde se deram os acontecimentos de Álcacer-Quibir. Acrescento agora que, segundo me contou o antigo guarda do Convento, Frei Gaspar, a cela onde esteve encerrado (uma semana inteira, em contemplação da Santa Cruz) o Rei-Menino foi esta sobre a qual aqui escrevo.
A cela é pequena, como o são as restantes celas do Convento, mas tem uma particularidade que a tornava especialmente indicada para o propósito referido (a contemplação do símbolo da Cruz): a luz natural entra nesta cela por uma pequena janela, localizada junto ao tecto, num dos seus cantos. A orientação desta janela permite a quem nela se encerrar observar a magnífica rocha que domina a paisagem do Convento, e sobre a qual se erguia - até há alguns anos - uma pequena Cruz de pedra.
Imagine-se pois o Rei de Portugal, D. Sebastião, fechado na escuridão da cela, alimentando a alma apenas do pão espiritual servido pela Cruz daquele penedo.
Convento ou Mosteiro?
Muita gente sente grande dificuldade em distinguir Conventos e Mosteiros, não conhecendo os motivos que permitem atribuir uma denominação ou outra aos lugares de recolhimento de religiosos cristãos.
A primeira distinção a fazer-se diz respeito à identificação dos seus ocupantes: se uma determinada casa consagrada à vida em comunidade de religiosos é habitada por membros de uma ordem monástica (ou seja, monges), então estamos perante um Mosteiro; se a comunidade é constituída por membros de uma ordem mendicante, então trata-se de um Convento.

Na imagem (Duarte d'Armas, 1510), o Mosteiro de Nossa Senhora da Pena (cume mais à direita da Serra de Sintra), ocupado por Monges Jerónimos.
As ordens mais conhecidas de ambas as tipologias são: Mendicantes - Franciscanos, Dominicanos (também chamados "Pregadores"), Carmelitas e Agostinianos; Monásticas - Jerónimos, Cistercenses, Trapistas e Beneditinos.
Muitas fontes referem a localização dos Conventos (dentro dos muros das cidades medievais) e dos Mosteiros (normalmente localizados fora dos muros) como factor de distinção. Em todo o caso existem inúmeros exemplos de Mosteiros localizados dentro das cidades e de Conventos construídos em locais isolados, que tornam este critério falível, datado e de difícil aplicação.
A primeira distinção a fazer-se diz respeito à identificação dos seus ocupantes: se uma determinada casa consagrada à vida em comunidade de religiosos é habitada por membros de uma ordem monástica (ou seja, monges), então estamos perante um Mosteiro; se a comunidade é constituída por membros de uma ordem mendicante, então trata-se de um Convento.

Na imagem (Duarte d'Armas, 1510), o Mosteiro de Nossa Senhora da Pena (cume mais à direita da Serra de Sintra), ocupado por Monges Jerónimos.
As ordens mais conhecidas de ambas as tipologias são: Mendicantes - Franciscanos, Dominicanos (também chamados "Pregadores"), Carmelitas e Agostinianos; Monásticas - Jerónimos, Cistercenses, Trapistas e Beneditinos.
Muitas fontes referem a localização dos Conventos (dentro dos muros das cidades medievais) e dos Mosteiros (normalmente localizados fora dos muros) como factor de distinção. Em todo o caso existem inúmeros exemplos de Mosteiros localizados dentro das cidades e de Conventos construídos em locais isolados, que tornam este critério falível, datado e de difícil aplicação.
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