A visita que ontem realizei ao Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra provocou em mim um misto de sentimentos, combinação de uma enorme alegria, consequência do regresso a um espaço de beleza ímpar, com a tristeza de o ver cair - anos após anos - num esquecimento que faz doer a alma.
Sejamos claros: o Convento dos Capuchos está numa situação extremamente débil, que pode piorar muito rapidamente se nada for feito para inverter o longo e cada vez mais acelerado processo de degradação material há muito iniciado!
Tenho para mim, porque a realidade assim me leva a concluir, que os Capuchos são a pedra no sapato das sucessivas tutelas. Centrando-me na actual, não é difícil concluir que o Convento é o parente pobre dos Parques sob controlo da Sociedade PSML, razão pela qual o investimento (não apenas mas também financeiro) realizado pela empresa nos diferentes espaços que tutela é tão desiquilibrado, e desajustado face às necessidades dos mesmos.
O Convento é um espaço incómodo cuja situação se vai arrastando e relativamente ao qual poucos se manifestam. Pessoalmente, não compreendo o porquê desta secundarização de um eremitério do século XVI, ímpar em vários planos da sua existência, e cuja valorização deveria estar entre as principais prioridades dos poderes locais que verdadeira capacidade de decisão. Haverá quem me possa esclarecer?
Soube ontem, porque passei grande parte do dia nos Capuchos, que há mais de um ano que o Convento não tem pessoal suficiente para garantir a segurança do espaço e dos seus visitantes. Esteve muitos meses sem guias ou guardas, e actualmente conta com uma pessoa - o sr. Joaquim - que naturalmente tem direito a descansar, e por isso não se encontra nos Capuchos 365 dias por ano. Ontem, por exemplo, não estava lá.
Ora quer isto dizer que há um número significativo de dias por ano em que o Convento se encontra entregue a si mesmo, bem como ao bom senso das pessoas que o visitam. E se é verdade que a generalidade das pessoas - compreendendo ou não o espaço - respeitam as regras elementares de bom comportamento dentro de património classificado, outros há que aproveitam a falta de controlo e a ausência de pessoal da tutela para dar expressão prática à total falta de educação.
A família Dias, de Loures, esteve no Convento em Agosto passado. Pelo menos é o que diz a mensagem que, orgulhosamente, deixaram na parede da Biblioteca, da qual devem ter saído satisfeitos com a triste cicatriz (mais uma) que deixaram numa parede com 449 anos de idade...
Fê-lo fundamentalmente por dois motivos:
- Porque não havia ninguém nas imediações, a circular pelo Convento, capaz de os dissuadir de ali deixar a marca da sua passagem;
- Porque olhando para a(s) parede(s), não foram capazes de compreender que mal tinha acrescentar a sua assinatura às outras tantas, algumas do século XIX, ali existentes!
É assim justo perguntar à tutela o seguinte:
a) Porque razão desapareceram os guias do Convento? Porque razão ontem, dia 15 de Fevereiro de 2009, a única pessoa presente era a funcionária que tinha de assegurar a portaria/bilheteira? Acham que a ausência de pessoal vosso no Convento assegura condições mínimas de segurança para o património em si e para os visitantes que ali se deslocam?
b) Porque razão ainda não se avançou, sem demoras, para a limpeza e recuperação das paredes internas do Convento, com destaque para a cozinha, biblioteca e refeitório? Não compreendem que a existência de gravações e "grafittis" um pouco por todo o Convento é uma verdadeiro convite ao visitante menos sério para deixar - acrescentar - a marca da sua passagem?
Consigo agora compreender, sem dificuldade, o porquê das imagens do Convento estarem guardadas a sete chaves (oxalá que estejam...) em Monserrate. Abandonado como está, o Convento não teria de facto condições mínimas de segurança para as guardar. Seriam roubadas ou, mais provavelmente, vandalizadas. É um facto... e a responsabilidade desse facto é, sobretudo, daqueles a quem foi concedida a tutela de todo o património dos Capuchos.
Ontem acrescentei preocupação à preocupação imensa que já transportava, quando pelas 11h45 paguei o meu bilhete junto ao estacionamento do Convento.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Paisagem Cultural de Sintra | Plano de Gestão
Ficha 8 - Convento de Santa Cruz dos Capuchos
1. Identificação
Convento de Santa Cruz dos Capuchos
2. Localização/Nível territorial abrangido
Serra de Sintra, Freguesia de Colares
3. Estatuto Jurídico
- Decreto-Lei 37077, de 29 de Setembro de 1948 (define o Convento de Santa Cruz dos Capuchos como imóvel de interesse público)
- Decreto-Lei nº 215/2000, de 2 de Setembro (constituição da Sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua, S.A., com os objectivos de recuperação, requalificação e revitalização, gestão, conservação e exploração de diversas áreas, onde se inclui o Convento de Santa Cruz dos Capuchos).
4. Caracterização
: Levantamento pormenorizado de todas as situações existentes que tenham um efeito negativo na boa conservação das estruturas arquitectónicas;
: Resolução técnica adequada e concretização eficaz de todas as acções necessárias à completa resolução das situações referidas no ponto anterior;
: Levantamento pormenorizado do estado de conservação de todo o espólio artístico do Convento e da sua Cerca, móvel ou imóvel, e simultânea elaboração de propostas técnicas visando a sua integral recuperação;
: Imediata intervenção de consolidação e restauro nas peças artísticas mais ameaçadas, como – por exemplo – a cruz de madeira do átrio com frade franciscano pintado;
: Elaboração de um projecto especializado visando a recuperação integral de todo o imóvel, quer exterior quer interiormente.
5. Objectivos
: Garantir a continuidade e sustentabilidade da preservação do património
: Promover a recuperação do património degradado
6. Planeamento
Inicio: 2006
Conclusão: Final de 2008
7. Dotação Financeira
2006 - € 80.000,00
2007 - € 400.000,00
2008 - € 400.000,00
8. Entidades Envolvidas
Câmara Municipal de Sintra e Parques de Sintra Monte da Lua,
IPPAR, Direcção-Geral Recursos Florestais
Ficha 12 - Cerca do Convento de Santa Cruz dos Capuchos
1. Identificação
Cerca do Convento de Santa Cruz dos Capuchos
2. Localização/Nível territorial abrangido
Serra de Sintra, Freguesia de Colares
3. Estatuto Jurídico
- Imóvel de Interesse Público (DL 37077 de 29 de Setembro de 1948).
4. Caracterização
PATRIMÓNIO NATURAL
: Erradicação dos espécimes invasores, e sua substituição, sempre que for técnica e cientificamente indicado, por espécimes adequados;
: Limpeza dos matos e folhagens da Cerca e dos caminhos;
: Inventariação e tratamento de exemplares arbóreos e arbustivos afectados, mas recuperáveis.
: Inventariação e substituição por exemplares da mesma espécie, de árvores e/ou arbustos mortos ou irrecuperáveis.
PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO
: Levantamento pormenorizado de todas as situações existentes
: Intervenção imediata visando a consolidação, restauro e conservação dos elementos mais drasticamente afectados, como – por exemplo – aqueles que são ornamentados
com embrechados;
: Adaptação projecto existente visando a recuperação e valorização de todas as estruturas construídas existentes na Cerca dos Capuchos, à luz da realidade actual.
NOVAS INTERVENÇÕES
: Adaptação de um projecto de arquitectura paisagística existente, conducente à reposição do cenário “natural” da entrada dos Capuchos, privilegiando a plantação
de espécimes autóctones e conferindo ao local um aspecto de floresta natural, por entre a qual o visitante aceda ao cenóbio dos frades descalços através de uma simples vereda em terra batida, num percurso de tranquilidade e comunhão com a Natureza.
: Substituição da sinalética existente por uma outra concebida especificamente para o espaço em causa, que tenha em conta as características próprias do lugar (ambientais, cromáticas, de textura, entre outras) e a necessária conciliação entre
a facilidade de transmissão das respectivas mensagens perante o visitante (análise de custos/benefícios).
: Transferência das funções das estruturas pré-fabricadas de atendimento ao público para a antiga «Casa do Guarda», que será criteriosamente recuperada e adaptada para o efeito.
: Concepção e instalação de vedações adequadas aos caminhos e outros lugares do Parque, respeitando a específica e original ambiência resultante de uma arquitectura paisagística intencionalmente projectada.
: Concepção e instalação das pequenas estruturas necessárias à contenção de taludes, respeitando a ambiência do lugar, recorrendo-se preferencialmente a soluções idênticas às tradicionalmente ali utilizadas em situações do mesmo tipo.
5. Objectivos
: Garantir a continuidade e sustentabilidade da preservação do património
: Promover a recuperação do património degradado
6. Planeamento
Início: 2005
Fim: 2007
7. Dotação Financeira
2005 - € 25.000,00
2006 - € 47.500,00
2007 - € 70.000,00
8. Entidades Envolvidas
Câmara Municipal de Sintra, Parques de Sintra - Monte da Lua e Direcção-Geral dos Recursos Florestais
1. Identificação
Convento de Santa Cruz dos Capuchos
2. Localização/Nível territorial abrangido
Serra de Sintra, Freguesia de Colares
3. Estatuto Jurídico
- Decreto-Lei 37077, de 29 de Setembro de 1948 (define o Convento de Santa Cruz dos Capuchos como imóvel de interesse público)
- Decreto-Lei nº 215/2000, de 2 de Setembro (constituição da Sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua, S.A., com os objectivos de recuperação, requalificação e revitalização, gestão, conservação e exploração de diversas áreas, onde se inclui o Convento de Santa Cruz dos Capuchos).
4. Caracterização
: Levantamento pormenorizado de todas as situações existentes que tenham um efeito negativo na boa conservação das estruturas arquitectónicas;
: Resolução técnica adequada e concretização eficaz de todas as acções necessárias à completa resolução das situações referidas no ponto anterior;
: Levantamento pormenorizado do estado de conservação de todo o espólio artístico do Convento e da sua Cerca, móvel ou imóvel, e simultânea elaboração de propostas técnicas visando a sua integral recuperação;
: Imediata intervenção de consolidação e restauro nas peças artísticas mais ameaçadas, como – por exemplo – a cruz de madeira do átrio com frade franciscano pintado;
: Elaboração de um projecto especializado visando a recuperação integral de todo o imóvel, quer exterior quer interiormente.
5. Objectivos
: Garantir a continuidade e sustentabilidade da preservação do património
: Promover a recuperação do património degradado
6. Planeamento
Inicio: 2006
Conclusão: Final de 2008
7. Dotação Financeira
2006 - € 80.000,00
2007 - € 400.000,00
2008 - € 400.000,00
8. Entidades Envolvidas
Câmara Municipal de Sintra e Parques de Sintra Monte da Lua,
IPPAR, Direcção-Geral Recursos Florestais
Ficha 12 - Cerca do Convento de Santa Cruz dos Capuchos
1. Identificação
Cerca do Convento de Santa Cruz dos Capuchos
2. Localização/Nível territorial abrangido
Serra de Sintra, Freguesia de Colares
3. Estatuto Jurídico
- Imóvel de Interesse Público (DL 37077 de 29 de Setembro de 1948).
4. Caracterização
PATRIMÓNIO NATURAL
: Erradicação dos espécimes invasores, e sua substituição, sempre que for técnica e cientificamente indicado, por espécimes adequados;
: Limpeza dos matos e folhagens da Cerca e dos caminhos;
: Inventariação e tratamento de exemplares arbóreos e arbustivos afectados, mas recuperáveis.
: Inventariação e substituição por exemplares da mesma espécie, de árvores e/ou arbustos mortos ou irrecuperáveis.
PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO
: Levantamento pormenorizado de todas as situações existentes
: Intervenção imediata visando a consolidação, restauro e conservação dos elementos mais drasticamente afectados, como – por exemplo – aqueles que são ornamentados
com embrechados;
: Adaptação projecto existente visando a recuperação e valorização de todas as estruturas construídas existentes na Cerca dos Capuchos, à luz da realidade actual.
NOVAS INTERVENÇÕES
: Adaptação de um projecto de arquitectura paisagística existente, conducente à reposição do cenário “natural” da entrada dos Capuchos, privilegiando a plantação
de espécimes autóctones e conferindo ao local um aspecto de floresta natural, por entre a qual o visitante aceda ao cenóbio dos frades descalços através de uma simples vereda em terra batida, num percurso de tranquilidade e comunhão com a Natureza.
: Substituição da sinalética existente por uma outra concebida especificamente para o espaço em causa, que tenha em conta as características próprias do lugar (ambientais, cromáticas, de textura, entre outras) e a necessária conciliação entre
a facilidade de transmissão das respectivas mensagens perante o visitante (análise de custos/benefícios).
: Transferência das funções das estruturas pré-fabricadas de atendimento ao público para a antiga «Casa do Guarda», que será criteriosamente recuperada e adaptada para o efeito.
: Concepção e instalação de vedações adequadas aos caminhos e outros lugares do Parque, respeitando a específica e original ambiência resultante de uma arquitectura paisagística intencionalmente projectada.
: Concepção e instalação das pequenas estruturas necessárias à contenção de taludes, respeitando a ambiência do lugar, recorrendo-se preferencialmente a soluções idênticas às tradicionalmente ali utilizadas em situações do mesmo tipo.
5. Objectivos
: Garantir a continuidade e sustentabilidade da preservação do património
: Promover a recuperação do património degradado
6. Planeamento
Início: 2005
Fim: 2007
7. Dotação Financeira
2005 - € 25.000,00
2006 - € 47.500,00
2007 - € 70.000,00
8. Entidades Envolvidas
Câmara Municipal de Sintra, Parques de Sintra - Monte da Lua e Direcção-Geral dos Recursos Florestais
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