A comparação entre o Convento retratado por Burnett na sua famosa gravura dos Capuchos e a realidade actual do espaço desenhado (o Claustro) permite-nos verificar um grande número de diferenças. Todavia, o objectivo desta chamada de atenção é o de desafiar os leitores aqui do Blog a identificarem uma que é especialmente evidente. Trata-se de um "pormenor" da vista do claustro que desapareceu há uns anos, e que nunca mais foi reparado, ou recolocado.
Prometo deixar para outro texto o tratamento mais detalhado deste assunto... Para já fica o desafio de que compararem as "duas versões" da célebre gravura, identificando a única diferença decorrente da alteração que fiz na versão de baixo.
Um bom domingo para todos.
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domingo, 5 de abril de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Capuchos ao abandono...
Diz-me quem lá esteve que no passado sábado o Convento estava novamente vazio de pessoas da PSML, com excepção da bilheteira. Naturalmente que se trata de uma situação recorrente, esta coisa de se deixar o Convento abandonado e entregue ao bom senso (ou mau senso, depende) dos visitantes.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
A decoração fresquista do Convento dos Capuchos de Sintra
Entre vários aspectos interessantes do texto do Prof. Vítor Serrão dedicado aos murais atribuídos a André Reinoso, do Convento dos Capuchos, existe um parágrafo que levanta relativamente à obra do referido pintor maneirista dentro do espaço conventual uma questão muitíssimo pertinente. Analisemos um excerto do texto original:
"Depois de descrever a igreja e as dependências do eremitério, o anónimo poeta seiscentistas alude, na estrofe 11, às pinturas decorativas existentes no Convento dos Capuchos e ao seu autor:
Pella mão de Reinozo estão pintadas
muytas figuras de estranha excellência,
tão ricas, tão perfeitas e acabadas,
que não pode ahy auer mór eminência.
Apelles e as mãos mais celebradas
que nesta arte mostrarão mais sciencia
mais sublimada couza e mais divina.
Pese embora o tom laudatório do comentário às pinturas e ao artista que as executou, parece-nos segura a relacionação desta referência poética com os murais em causa neste breve apontamento de campo. Note-se, para mais, que o autor se não refere a "painéis", e sim a "figuras pintadas", o que não faria se se tratasse de peças de altar. Naturalmente, os "frescos" de S.Francisco de Assis e de Santo António de Lisboa são apenas os resíduos de uma decoração fresquista de maiores dimensões, estendida a outras dependências do cenóbio que não só ao exterior da capela-oratório do Cardeal D.Henrique, e hoje limitada àqueles dois murais."
O poema épico sustenta a dúvida, e Vítor Serrão afirma com autoridade: "Naturalmente, os "frescos" de S.Francisco de Assis e de Santo António de Lisboa são apenas os resíduos de uma decoração fresquista de maiores dimensões, estendida a outras dependências do cenóbio que não só ao exterior da capela-oratório do Cardeal D.Henrique, e hoje limitada àqueles dois murais"
Sabendo-se que nenhuma dependência do Convento foi demolida, onde estariam - estarão? - os restantes frescos de André Reinoso? "Escondidos" nas paredes escuras da Igreja Conventual? Ou referir-se-ia o autor do poema épico ao conjunto de murais decorativos mas não figurativos espalhados pelo interior das capelas da Cerca (Senhor do Horto, Ecce Homo / São Sebastião e Senhor Crucificado)? Serrão coloca de lado esta hipótese: "Note-se, para mais, que o autor se não refere a "painéis", e sim a "figuras pintadas", o que não faria se se tratasse de peças de altar".
Legenda, da esquerda para a direita: Murais da parede da Capela do Senhor no Horto, da parede da Capela do Ecce Homo / São Sebastião e do Altar da Capela do Senhor Crucificado (quase indecifrável).
Por outro lado, poder-se-á incluir a imagem do frade crucificado do Alpendre da Portaria no grupo das "muytas figuras de estranha excellência" atribuídas a André Reinoso? Pessoalmente desconheço a autoria da belíssima figura do frade pintado sobre cruz de madeira, embora tecnicamente - e corrijam-me se estiver enganado - não estejamos neste caso perante um "fresco", que se define grosso modo como "Técnica de pintura mural, executada sobre uma base de gesso ou nata de cal ainda húmida - por isso o nome derivado da expressão italiana fresco, de mesmo significado no português - na qual o artista deve aplicar pigmentos puros diluídos somente em água" (Wikipedia).
Trata-se de um tema da maior importância, que merecia maior e mais aprofundado estudo.
Pella mão de Reinozo estão pintadas
muytas figuras de estranha excellência,
tão ricas, tão perfeitas e acabadas,
que não pode ahy auer mór eminência.
Apelles e as mãos mais celebradas
que nesta arte mostrarão mais sciencia
mais sublimada couza e mais divina.
Pese embora o tom laudatório do comentário às pinturas e ao artista que as executou, parece-nos segura a relacionação desta referência poética com os murais em causa neste breve apontamento de campo. Note-se, para mais, que o autor se não refere a "painéis", e sim a "figuras pintadas", o que não faria se se tratasse de peças de altar. Naturalmente, os "frescos" de S.Francisco de Assis e de Santo António de Lisboa são apenas os resíduos de uma decoração fresquista de maiores dimensões, estendida a outras dependências do cenóbio que não só ao exterior da capela-oratório do Cardeal D.Henrique, e hoje limitada àqueles dois murais."
O poema épico sustenta a dúvida, e Vítor Serrão afirma com autoridade: "Naturalmente, os "frescos" de S.Francisco de Assis e de Santo António de Lisboa são apenas os resíduos de uma decoração fresquista de maiores dimensões, estendida a outras dependências do cenóbio que não só ao exterior da capela-oratório do Cardeal D.Henrique, e hoje limitada àqueles dois murais"Sabendo-se que nenhuma dependência do Convento foi demolida, onde estariam - estarão? - os restantes frescos de André Reinoso? "Escondidos" nas paredes escuras da Igreja Conventual? Ou referir-se-ia o autor do poema épico ao conjunto de murais decorativos mas não figurativos espalhados pelo interior das capelas da Cerca (Senhor do Horto, Ecce Homo / São Sebastião e Senhor Crucificado)? Serrão coloca de lado esta hipótese: "Note-se, para mais, que o autor se não refere a "painéis", e sim a "figuras pintadas", o que não faria se se tratasse de peças de altar".
Legenda, da esquerda para a direita: Murais da parede da Capela do Senhor no Horto, da parede da Capela do Ecce Homo / São Sebastião e do Altar da Capela do Senhor Crucificado (quase indecifrável).Por outro lado, poder-se-á incluir a imagem do frade crucificado do Alpendre da Portaria no grupo das "muytas figuras de estranha excellência" atribuídas a André Reinoso? Pessoalmente desconheço a autoria da belíssima figura do frade pintado sobre cruz de madeira, embora tecnicamente - e corrijam-me se estiver enganado - não estejamos neste caso perante um "fresco", que se define grosso modo como "Técnica de pintura mural, executada sobre uma base de gesso ou nata de cal ainda húmida - por isso o nome derivado da expressão italiana fresco, de mesmo significado no português - na qual o artista deve aplicar pigmentos puros diluídos somente em água" (Wikipedia).
Trata-se de um tema da maior importância, que merecia maior e mais aprofundado estudo.
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Abandono e degradação,
Frescos de André Reinoso
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Profunda preocupação...
A visita que ontem realizei ao Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra provocou em mim um misto de sentimentos, combinação de uma enorme alegria, consequência do regresso a um espaço de beleza ímpar, com a tristeza de o ver cair - anos após anos - num esquecimento que faz doer a alma.
Sejamos claros: o Convento dos Capuchos está numa situação extremamente débil, que pode piorar muito rapidamente se nada for feito para inverter o longo e cada vez mais acelerado processo de degradação material há muito iniciado!
Tenho para mim, porque a realidade assim me leva a concluir, que os Capuchos são a pedra no sapato das sucessivas tutelas. Centrando-me na actual, não é difícil concluir que o Convento é o parente pobre dos Parques sob controlo da Sociedade PSML, razão pela qual o investimento (não apenas mas também financeiro) realizado pela empresa nos diferentes espaços que tutela é tão desiquilibrado, e desajustado face às necessidades dos mesmos.
O Convento é um espaço incómodo cuja situação se vai arrastando e relativamente ao qual poucos se manifestam. Pessoalmente, não compreendo o porquê desta secundarização de um eremitério do século XVI, ímpar em vários planos da sua existência, e cuja valorização deveria estar entre as principais prioridades dos poderes locais que verdadeira capacidade de decisão. Haverá quem me possa esclarecer?
Soube ontem, porque passei grande parte do dia nos Capuchos, que há mais de um ano que o Convento não tem pessoal suficiente para garantir a segurança do espaço e dos seus visitantes. Esteve muitos meses sem guias ou guardas, e actualmente conta com uma pessoa - o sr. Joaquim - que naturalmente tem direito a descansar, e por isso não se encontra nos Capuchos 365 dias por ano. Ontem, por exemplo, não estava lá.
Ora quer isto dizer que há um número significativo de dias por ano em que o Convento se encontra entregue a si mesmo, bem como ao bom senso das pessoas que o visitam. E se é verdade que a generalidade das pessoas - compreendendo ou não o espaço - respeitam as regras elementares de bom comportamento dentro de património classificado, outros há que aproveitam a falta de controlo e a ausência de pessoal da tutela para dar expressão prática à total falta de educação.
A família Dias, de Loures, esteve no Convento em Agosto passado. Pelo menos é o que diz a mensagem que, orgulhosamente, deixaram na parede da Biblioteca, da qual devem ter saído satisfeitos com a triste cicatriz (mais uma) que deixaram numa parede com 449 anos de idade...
Fê-lo fundamentalmente por dois motivos:
- Porque não havia ninguém nas imediações, a circular pelo Convento, capaz de os dissuadir de ali deixar a marca da sua passagem;
- Porque olhando para a(s) parede(s), não foram capazes de compreender que mal tinha acrescentar a sua assinatura às outras tantas, algumas do século XIX, ali existentes!
É assim justo perguntar à tutela o seguinte:
a) Porque razão desapareceram os guias do Convento? Porque razão ontem, dia 15 de Fevereiro de 2009, a única pessoa presente era a funcionária que tinha de assegurar a portaria/bilheteira? Acham que a ausência de pessoal vosso no Convento assegura condições mínimas de segurança para o património em si e para os visitantes que ali se deslocam?
b) Porque razão ainda não se avançou, sem demoras, para a limpeza e recuperação das paredes internas do Convento, com destaque para a cozinha, biblioteca e refeitório? Não compreendem que a existência de gravações e "grafittis" um pouco por todo o Convento é uma verdadeiro convite ao visitante menos sério para deixar - acrescentar - a marca da sua passagem?
Consigo agora compreender, sem dificuldade, o porquê das imagens do Convento estarem guardadas a sete chaves (oxalá que estejam...) em Monserrate. Abandonado como está, o Convento não teria de facto condições mínimas de segurança para as guardar. Seriam roubadas ou, mais provavelmente, vandalizadas. É um facto... e a responsabilidade desse facto é, sobretudo, daqueles a quem foi concedida a tutela de todo o património dos Capuchos.
Ontem acrescentei preocupação à preocupação imensa que já transportava, quando pelas 11h45 paguei o meu bilhete junto ao estacionamento do Convento.
Sejamos claros: o Convento dos Capuchos está numa situação extremamente débil, que pode piorar muito rapidamente se nada for feito para inverter o longo e cada vez mais acelerado processo de degradação material há muito iniciado!
Tenho para mim, porque a realidade assim me leva a concluir, que os Capuchos são a pedra no sapato das sucessivas tutelas. Centrando-me na actual, não é difícil concluir que o Convento é o parente pobre dos Parques sob controlo da Sociedade PSML, razão pela qual o investimento (não apenas mas também financeiro) realizado pela empresa nos diferentes espaços que tutela é tão desiquilibrado, e desajustado face às necessidades dos mesmos.
O Convento é um espaço incómodo cuja situação se vai arrastando e relativamente ao qual poucos se manifestam. Pessoalmente, não compreendo o porquê desta secundarização de um eremitério do século XVI, ímpar em vários planos da sua existência, e cuja valorização deveria estar entre as principais prioridades dos poderes locais que verdadeira capacidade de decisão. Haverá quem me possa esclarecer?
Soube ontem, porque passei grande parte do dia nos Capuchos, que há mais de um ano que o Convento não tem pessoal suficiente para garantir a segurança do espaço e dos seus visitantes. Esteve muitos meses sem guias ou guardas, e actualmente conta com uma pessoa - o sr. Joaquim - que naturalmente tem direito a descansar, e por isso não se encontra nos Capuchos 365 dias por ano. Ontem, por exemplo, não estava lá.
Ora quer isto dizer que há um número significativo de dias por ano em que o Convento se encontra entregue a si mesmo, bem como ao bom senso das pessoas que o visitam. E se é verdade que a generalidade das pessoas - compreendendo ou não o espaço - respeitam as regras elementares de bom comportamento dentro de património classificado, outros há que aproveitam a falta de controlo e a ausência de pessoal da tutela para dar expressão prática à total falta de educação.
A família Dias, de Loures, esteve no Convento em Agosto passado. Pelo menos é o que diz a mensagem que, orgulhosamente, deixaram na parede da Biblioteca, da qual devem ter saído satisfeitos com a triste cicatriz (mais uma) que deixaram numa parede com 449 anos de idade...
Fê-lo fundamentalmente por dois motivos:
- Porque não havia ninguém nas imediações, a circular pelo Convento, capaz de os dissuadir de ali deixar a marca da sua passagem;
- Porque olhando para a(s) parede(s), não foram capazes de compreender que mal tinha acrescentar a sua assinatura às outras tantas, algumas do século XIX, ali existentes!
É assim justo perguntar à tutela o seguinte:
a) Porque razão desapareceram os guias do Convento? Porque razão ontem, dia 15 de Fevereiro de 2009, a única pessoa presente era a funcionária que tinha de assegurar a portaria/bilheteira? Acham que a ausência de pessoal vosso no Convento assegura condições mínimas de segurança para o património em si e para os visitantes que ali se deslocam?
b) Porque razão ainda não se avançou, sem demoras, para a limpeza e recuperação das paredes internas do Convento, com destaque para a cozinha, biblioteca e refeitório? Não compreendem que a existência de gravações e "grafittis" um pouco por todo o Convento é uma verdadeiro convite ao visitante menos sério para deixar - acrescentar - a marca da sua passagem?
Consigo agora compreender, sem dificuldade, o porquê das imagens do Convento estarem guardadas a sete chaves (oxalá que estejam...) em Monserrate. Abandonado como está, o Convento não teria de facto condições mínimas de segurança para as guardar. Seriam roubadas ou, mais provavelmente, vandalizadas. É um facto... e a responsabilidade desse facto é, sobretudo, daqueles a quem foi concedida a tutela de todo o património dos Capuchos.
Ontem acrescentei preocupação à preocupação imensa que já transportava, quando pelas 11h45 paguei o meu bilhete junto ao estacionamento do Convento.
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